21 de julho de 2014

Mini saia: a peça mais revolucionária da moda completa 50 anos!

Por alguns ela (ainda) é considerada vulgar, indecente e deselegante. Mas o fato é que ela já se tornou um clássico da Moda. Uma peça de roupa que incomoda tanto só poderia mesmo ter nascido e se firmado entre os rebeldes: a mini saia! Nós, que já nascemos acostumadas à elas, talvez não imaginemos o quanto as minis foram revolucionárias.

Uma breve história
Após a segunda guerra mundial, a chamada geração Baby Boomer vivia numa Londres de efervescência cultural e de mudanças de costumes. O rock n' roll, a psicodelia, a pop art e os hippies eram alguns dos movimentos que surgiam. A jovem inglesa Mary Quant (que completou 80 anos em 2014) é considerada a criadora* da mini saia. Mary era fã do carro "Mini" e por isso a saia recebeu este nome. Desde os anos 1960, devido à Swinging London, Londres é considerada a capital da cultura pop e da moda para o mundo todo!
* o francês André Courrèges, inventor do vestido trapézio, também é considerado um pioneiro da mini saia. Em 1965 ele lançou a "Mod Collection". Yves Saint Laurent e Pierre Cardin também fizeram coleções com a mini na mesma época.

Mary Quant diz que foram as próprias garotas de King's Road que inventaram a peça, que era fácil de vestir, simples e juvenil. Você poderia se mover livremente, pular e correr atrás do ônibus. Mary diz que apenas começou a fazer a barra na altura que as garotas queriam: bem curtas!

Mary Quant nos anos 60 e atualmente

Naquela época, havia todo este espírito libertário no ar, as mulheres revelaram seus joelhos e coxas pela primeira vez, o que foi visto como um sinal de rebeldia e emancipação.

Twiggy, modelo símbolo da Swinging London, viva com minis! O corpo magro entrou em voga para as mulheres da época para contrastar com os corpos rechonchudos de suas mães e avós. Um rompimento com as gerações anteriores consideradas antiquadas. Uma nova geração, novos hábitos, novo corpo!



Coco Chanel, uma mulher que em sua juventude foi à frente de seu tempo, quem diria, não aprovava as minis! Atualmente, a marca Chanel tem Karl Lagerfeld como diretor artístico desde 1983, e ele é um especialista em saias curtas. Karl cutuca, dizendo que Chanel, aos 80 anos, estava fora de moda e não entendia os anseios da nova geração! Outros dizem que ela não gostava de ver jovens no comando da Moda da época...

A Revolução
Antes da mini saia, a roupa era usada para esconder as mulheres de "apetites" masculinos, só que tais roupas não eram práticas e dificultavam os movimentos. A mini vinha como uma opção rápida e prática de se vestir, tornando a moda  mais divertida e decretando a morte da austeridade convencional.
Símbolo do feminismo da época, a mini saia, era uma forma de se rebelar, de reivindicar a sensualidade e a sexualidade. Isso, é claro, desagradava os pais das garotas que as proibiam de usá-la Mas não tinha jeito, elas simplesmente pegavam seus vestidos e os cortavam!
A mini era algo tão novo que quando a peça  chegou aos Estados Unidos não havia um mercado pronto para recebe-la, mesmo assim, a juventude americana estava igualmente fascinada e ansiosa pela liberdade, buscando roupas menos rigorosas e uma elegância ousada.


A saia chegou a ser proibida em países como a Holanda, houveram protestos contra ela na França. Mas também houve protestos de mulheres exigindo o direito de usá-las! Uma peça que ganhou comoção popular porque mostrava um pouco mais do corpo feminino, sempre considerado um "objeto" a ser resguardado, já que os velhos hábitos diziam para as mulheres se vestirem de modo "decente", afinal elas passavam de ser propriedade dos pais para logo a seguir serem dos maridos. Demorou uns bons anos pros tabus caírem, a revolução de maio de 1968 ajudou nesse processo.



A Mini Saia hoje
Pelo fato de ser curta, muitos a associam à vulgaridade, o que de certa forma não é certo. A vulgaridade (assim como a elegância) é muito mais ligada à gestos e atitudes do que à uma peça de roupa específica.
Se nos anos 60, os corpos magros rompiam a geração baby boomer com a de seus pais, atualmente já está mais do que provado que todos os tipos de corpo podem usar a peça, mesmo as mais gordinhas [como mostramos aqui, aqui e aqui].
Usada com leggings ou meias calças, torna-se uma peça menos sexy e ousada, ao mesmo tempo que simboliza uma ambiguidade: liberdade + repressão.

Embora tenha sido um símbolo do feminismo e logo a seguir uma vítima do machismo - é comum dizerem que mulheres não devem usar mini saias porque elas não são peças "corretas" ou "são vulgares" ou ainda que "facilitam o estupro" e mais "n" motivos (todos ruins!) - nos dias de hoje, por ter se tornado uma peça clássica, ela já perdeu muito de suas conotações originais, se tornou uma peça ambivalente e até mesmo de militância, já que o feminismo atual luta pra que mulheres tenham direito de usar a roupa que quiserem sem serem julgadas ou atacadas. 

A Mini Saia nas Subculturas
Ao longo das últimas 3 décadas, a mini saia e as subculturas mantém uma relação estreitíssima! Se na década de 1960, a mini tinha fama de revelar e libertar os movimentos das mulheres e ser parte da cena Mod, na década de 1970 ela saiu um pouco de voga pra dar lugar às saias longas e esvoaçantes.

Mas em fins dos anos 70 e começo da década de 1980, elas retornam ligadas à cena punk e hard rock.

Garotas Punks: Mini saia e meia arrastão.
garotas punks


Catwoman, Poly Styrene e Ari Up: nas garotas punks a saia curta é desconstruída, 
tem influência fetichista e ganha ares agressivos.


Na cena hard rock oitentista, as mulheres assumiam sua sensualidade!

Logo a seguir, nos anos 90, reaparece na moda grunge, com seus vestidos camisola e no estilo Kinderwhore (com referências à moda dos anos 60). A saia curta da época misturava inocência e agressividade...


... no fim da década ganha status de sofisticação, muito bem ilustrada no filme "Clueless - Patricinhas de Beverly Hills". Poder, autoridade e segurança também foram associados à uma super mulher de sexualidade agressiva, popularizada pelo Girl Power das Spice Girls.


Na cena rock mais pesada: Kittie no fim dos anos 90 e no começo dos anos 2000, Amy Lee:


PJ Harvey ousa com uma mini saia de vinil!

Desde a década de 90, Shirley Manson é conhecida por usar saias e mini vestidos no palco.

A punk Broody Dalle, costuma usar calças, mas quando resolve mostrar as pernas usa vestidos de barras bem curtas!



Elas também são muito populares na cena gótica. Nina Hagen é fã da peça!
 

Algumas mini saias de lojas góticas. Uma mini fica normalmente na altura da metade das coxas, seja ela com cós alto, médio ou baixo. Outra coisa que a caracteriza - especialmente nas saias de cós baixo - é ter entre 10 e 30cm de comprimento.




 Cyber Goth!


Em tempos atuais de retorno à feminilidade, a mini saia nunca esteve tão presente, mesmo na masculinista cena heavy metal já vemos diversas mulheres quebrando as barreiras estéticas da subcultura. Quando as cantoras começam a usar determinada peça de roupa, pouco depois as fãs tendem a imitar o estilo.

Cristina Scabbia, Liv Kristine, Sabina Classen, Sharon den Adel; Angela Gossow (saia curtíssima!), Grog, Liv Jagrell, Lzzy Halle.

E você? Também acha que as mini saias revolucionaram? Gosta/usa a peça?

*Texto feito baseado em pesquisa das autoras do blog. Se forem usar trechos ou como referência, citem o link como fonte pra não ter problemas com os direitos autorais ;)

20 de julho de 2014

Sorteio: Coloração Candy Color!

Tem sorteio na nossa fanpage do Face!
O Moda de Subculturas junto com a loja Sweet Style estão sorteando uma coloração Candy Color à sua escolha! 


 
Acessem:  http://goo.gl/ovtiBZ
Para participar basta seguir as regrinhas: 
- Curtir a fanpage da Candy Color https://www.facebook.com/candycolorbr/timeline 
- Curtir a fanpage da loja Sweet Style https://www.facebook.com/Sweetstylestore?ref=ts&fref=ts 
- Curtir a fanpage do blog Moda de Subculturas http://goo.gl/ovtiBZ
- No Facebook do Moda de Subculturas, clicar no aplicativo PROMOÇÕES (Yes Ganhei) e participar do Sorteio Candy Color.
- Compartilhar a imagem do sorteio no face publicamente. 

A vencedora (ou o vencedor) poderá escolher a cor que quiser! 
Se você quer saber mais sobre a história da Candy Color e a loja Sweet Style, basta acessar: http://goo.gl/z8b0dG"

O sorteio será dia 20.08.2014


16 de julho de 2014

Chifes na Moda: da História à Moda Alternativa

A relação do cinema com a moda vem desde os primórdios das primeiras filmagens. Recentemente, o filme Malévola, estrelado por Angelina Jolie provocou um interesse por adereços de cabeça em formato de chifres. Mas antes de estar no blockbuster, os chifres já davam as caras há muito tempo cena alternativa, tanto que pequenas lojas artesanais já forneciam estes adornos.

Um pouco de chifres na moda alternativa: editoriais de fotografia, cena japonesa, psychobilly, Pastel Goth...


No Brasil, a loja Miniminou revende peça produzida artesanalmente pela Devas.


Mas você já parou pra se perguntar de onde veio, qual a origem dos chifres como adornos sendo usados como moda?

Antes de contar um pouco de história da moda, vamos à uma breve ambientação temporal da história de A Bela Adormecida: A versão mais conhecida é a dos Irmãos Grimm, publicada em 1812. Porém, a primeira versão da história foi publicada em 1634, ou seja, século XVII. Vamos voltar um pouco mais no tempo agora?

As Referências:
1. Adornos de cabeça da Era Medieval.
No fim da Idade Média, as vestimentas femininas eram simples, mas seus adornos de cabeça eram altos e exagerados. Havia inúmeras formas de enfeites e  uma imensa variedade de penteados elaborados e fantásticos que duraram até o fim do século XV.  No final de 1400, os fios que cresciam na testa e nas sobrancelhas eram raspados para que os adornos fossem a atração principal. Os cabelos eram divididos ao meio, torcidos na lateral do rosto e eram guardados na crespine que tinha uma forma cilíndrica ou esférica, com uma forma pontiaguda de aparência de chifres. Esse adorno corniforme surgiu por volta de 1410 e sobre essa estrutura prendia-se o véu. 




2. Era Barroca:
Já lá pelos idos do século XVII (como foi dito acima, século em que a primeira verão da história foi publicada), eram os próprios cabelos que eram torcidos de forma a ficarem com aparência de pequenos chifres. Este penteado foi muito popular na cidade de Veneza durante a renascença.



É possível que tais referências de moda histórica tenham sido usadas pra criar a imagem da personagem Malévola. As modas do passado sempre nos surpreendem, pensamos que algo é novo e incrível, mas cada época tem uma moda ousada que de tempos em temos é relida. Mais posts sobre história da moda [aqui].

*Este artigo foi escrito pelas autoras do blog através de pesquisas. Se forem citar trechos ou usá-lo como referência para criar outros posts, citem este link como referência para evitar problemas com o direito autoral.



14 de julho de 2014

Dica de Loja: Rosenrot

O blog voltou do recesso, vários posts em andamento e por hora retornamos com uma dica de loja que é uma nova marca nacional que creio ter vindo suprir um nicho de mercado na nossa moda alternativa: a Rosenrot.
Assim que vi o site da marca me surpreendi pelo fato dela oferecer peças com um toque mais "adulto" e sério mas sem perder a alternatividade. 
A influência medieval nesta coleção de estreia é um fator de diferenciação. As peças podem ser por exemplo usadas nos Picnics Vitorianos como releituras e fogem um pouco daquela imagem "medieval - gothic metal - cetim barato" que algumas lojas insistem em vender pra um público mais adolescente que não exige tanto na questão da qualidade. A Rosenrot foca num público fã de trajes inspirados na idade média mas que fazem exigências sobre conforto e qualidade. Notei que algumas peças podem ser usadas tanto no trabalho (exemplificarei abaixo) quanto de uma forma mais casual.

Sites e contato:
e-mail contato@dasrosenrot.com.
Fanpage no Facebook: facebook.com/DasRosenrot
Twitter: @rosenrot_das

A Natália, responsável pela marca me enviou um release onde ela explica todo o conceito por trás das ideias criativas. Segundo ela, a Rosenrot surge como uma opção à mesmice que o mercado varejista de moda brasileiro apresenta, fugindo das tendências e do clima vibrante que as marcas brasileiras tendem a oferecer por conta do clima tropical. Idealizada para um público exigente e em crescimento no Brasil, apresenta uma estética diferenciada dos padrões oferecidos.

O público alvo da marca são pessoas interessadas em moda alternativa, que consomem cultura em geral, que têm influência em RPG, música, histórias medievais e ficções fantásticas, além de uma preocupação maior com seu estilo próprio. 


Segundo ela: "Nós oferecemos um produto esteticamente alheio aos padrões midiáticos, com peças mais conceituais e uma abordagem noir, baseando a estética da marca nos personagens obscuros do imaginário cultural e da história em si: piratas, vikings, anti-heróis, vampiros, feiticeiros."

"O nosso conceito é de uma marca que não se sujeita aos padrões nem às tendências de moda e não busca um ideal de beleza. A Rosenrot é voltada para os alternativos, os notívagos, os rebeldes, os que não querem ser apenas mais um na multidão. Com a produção realizada 100% no Brasil, garantimos de perto a qualidade final de cada uma de nossas peças, bem como a certeza de uma produção que não utiliza trabalho escravo nem degrada o meio-ambiente.


"Nossas coleções seguem uma história, e cada coleção será um capítulo diferente. A primeira coleção foi lançada em junho de 2014, e intitulada “Chapter I – Battleborn”.  
Nesse primeiro capítulo, trazemos a ideia de que só os fortes sobrevivem e que a Rosenrot já nasce em uma batalha. Nós queremos agregar pessoas que se identifiquem com nossa proposta de ser diferente, forte e corajoso. De não se deixar abater, mesmo com todas as dificuldades pelo caminho."


As peças de lançamento são compostas por couro, lã e malhas de viscose. Nossas cores são preto, off-white, vinho e ônix. Com referência na época medieval, usamos detalhes de fechamento feitos no próprio tecido da peça, rebites, ilhoses e cordões de couro.
A primeira coleção tem um número reduzido de peças, tornando-se assim exclusiva. Disponibilizamos, em média, 30 peças de cada modelo. Nossos tamanhos vão do P ao GG e nós atingimos tanto o público feminino quanto o masculino." 


"A Rosenrot foi criada para aqueles que não se encaixam, que não se deixam abater. Para os guerreiros. Para os corajosos.
Nós não seguimos a multidão. Não somos limitados ao nosso tempo – nós trazemos universos épicos, ficções fantásticas e grandes histórias para a realidade. Nós somos o vermelho dos campos de batalha, o rubro forte tecido no combate, o momento sublime que separa o mundo em dois: os que apenas existem e aqueles que conquistam a glória. Convidamos todos os destemidos, de espírito forte e imbatível a se juntar a nós. A vestir seu próprio estilo, a ser exatamente o que você quer ser, a colocar sua armadura para a batalha. Sem rótulos, sem tendências, sem medo."

Agora, apresento as peças da coleção! Primeiro, a masculina (para os guerreiros!), onde há quatro modelos de peças. A primeira é inspirada nas camisas de linho da época medieval (pode ser usada no trabalho!); logo a seguir uma cmiseta inspirada nas roupas de baixo, usadas sob armaduras e outras peças de roupa. Camiseta com estampa imitando gravuras e articulações de armadura (adorei!) e por fim, camiseta com estampa de caveira e rosas, for the brave!


Já na coleção feminina (para as valquírias!), há uma diversidade e versatilidade interessante... todas as peças podem ser usadas num ambiente de trabalho assim como em situações mais casuais. As duas primeiras blusas lembram as túnicas, já a terceira tem decote com aplicação de rebites, lembrando a proteção de pescoço que era rebitada diretamente na armadura.


Essa blusinha, fica linda sozinha mas ficaria igualmente incrível se acessorizada, por exemplo, por um corselet ou corset underbust.


A túnica é  versátil e vai pro trabalho e pro lazer!

A gente sabe que foi na idade média que surgiu os primórdios das leggings. E a loja pegou a referência e fez esta legging com referência das proteções de perna das armaduras medievais, com detalhe em couro simulando articulações. Muito legal, né?


Esta capa é uma peça de estilo para as ousadas! Perfeita pra essa época do ano, especialmente pra quem mora mais no sul e que faz aquele friozinho à noite e você quer usar uma peça diferenciada da maioria das pessoas. Quem se interessa pelos Picnics Vitorianos, essa capa é de grande utilidade, pois esse tipo de peça foi usada da idade média até a Era Vitoriana. Então, taí uma opção pra criar um figurino de época.



Vestidos!
Ah quem curte medievalismo vai amar! São versões atualizadas e você pode escolher entre a cor preta ou a vermelha. Este abaixo tem meia manga e uma fenda nas pernas...


Já este, com mangas curtas e um caimento fluído, resenharei logo abaixo.


Resenha:  Studded Dress!
O Studded Dress da Rosenrot é um vestido longo em malha de viscose com elastano e aplicação de rebites, lembrando a proteção de pescoço que era rebitada diretamente na armadura. Acompanha cinto trançado em couro sintético.


O vestido vem embrulhadinho e com um selinho muito fofo com o logo da loja lacrando, como era feito na antiguidade! E sim, você recebe o vestido e um cinto! =D

O panfleto explica a coleção:


O tecido é maravilhosamente macio e com um caimento pesado mas fluído. Pra se sentir mesmo numa história fantástica
. O que eu sou fascinada da era medieval é aquela coisa das histórias de feiticeiras e das donzelas guerreiras sem falar no imaginário de filmes como O Senhor dos Anéis, então, é um vestido que além de lindo pra sair, dá pra criar personagens. 

Como o Moda de Subculturas não é focado em Looks do Dia, vocês podem encontrar um pouco mais de opinião sobre o vestido, a modelagem e um look no blog Diva Alternativa, basta clicar [aqui]. 

Vale uma visita ao site da loja ! As peças são vendidas parceladas em até 3x e com desconto nas compras à vista. E também fazem troca em caso de defeito, desistência ou tamanho errado.

*Publipost

25 de junho de 2014

Entrevista com Angélica Burns, vocalista das bandas Scatha e Diva

Nós amamos mulheres na cena rock e metal! Embora cada vez mais nós tenhamos representantes femininas nestes gêneros musicais, elas ainda não tem um espaço igualitário comparado com as bandas masculinas na mídia especializada. Mas sempre há aquelas que amam música, lutam por espaço, se profissionalizam e ganham destaque na cena underground e alternativa nacional.
O post de hoje é uma entrevista com uma de nossas garotas do metal, Angélica Bruns, vocalista das bandas Scatha (thrash metal feminino) e Diva (Death Metal). 
Angélica vem se destacando pelo seu vocal gutural e sua dedicação ao metal extremo e no dia 06 de julho tocará no evento Metal Jam no Circo Voador (RJ).
Nesta entrevista ela fala de música, mulheres na cena, de como é viver numa cidade como o Rio de Janeiro e de como é ter morado na cidade mais gótica da Alemanha e até mesmo seus perrengues pra encontrar roupas que gosta dentro de nossas (ainda) limitativas modas mainstream e alternativa, acompanhem:


A Scatha vai completar dez anos na ativa. Quais são as maiores dificuldade da indústria para a cena thrash? Já passaram por frustrações de pensar em desistir?
Primeiramente pessoal gostaria de agradecer pela oportunidade e dizer que é uma honra participar do blog de vocês. Mas então vamos lá, vocês quase acertaram o tempo da Scatha. Completamos ano que vêm 10 anos. A banda foi formada em meados de 2005. Eu entrei apenas em 2007 e estamos na luta desde então. A cena underground carioca é muito gratificante, mas ao mesmo tempo você sempre fica pensando que falta algo. Pra gente é sempre um prazer fazer shows aqui no Rio de Janeiro, o público sempre é muito receptivo e apoia a gente de várias maneiras, desde simplesmente ir ao show, até comprar cd e camisa nosso. Mas ao mesmo tempo, temos a impressão que não saímos do lugar. Ao longo desses anos, fomos destaques em várias revistas do gênero, fomos selecionadas pela Roadie Crew para participar do Metal Battle em 2007, enfim muita coisa legal aconteceu pra gente. Mas ainda não conseguimos chegar aonde queremos. E acho que o Rio de Janeiro carece de muitas oportunidades pra nós ou qualquer outra banda sair do lugar. Acredito que as bandas de São Paulo têm muito mais chances de ganhar destaque nacional devido ao suporte que é possível ter lá. Lá existe uma verdadeira cena do Rock e do Heavy Metal, uma galeria inteira comercial com produtos do gênero, inúmeras revistas, rádios, estúdios, gravadoras, shows internacionais quase que diários, locais para tocar com maior estrutura e etc. Pra vocês terem noção nem a maior revista de metal do Brasil é mais vendida aqui, a Roadie Crew. Por esses motivos, muitas vezes é frustrante mesmo para as bandas aqui do Rio de Janeiro, mas nunca pensamos em desistir não. Já tornou parte de nossas vidas tocar na Scatha.

Sabemos que falar de machismo no heavy metal é um tabu, é raro este assunto ser abordado no Brasil. Você sente diferenças no tratamento para bandas de homens e bandas de mulheres? 
Quando o público não conhece a banda feminina que vai subir no palco, ainda existe sim algumas pessoas com aquele preconceito enrustido de achar que não vai ser boa. No entanto, eu tenho visto isso com menor frequência na cena. Já não é uma visão da maioria das pessoas, justamente devido às inúmeras bandas femininas competentes que vem aparecendo na cena tanto brasileira quanto mundial.


Nós sentimos uma carência de “mulheres do rock” no país, podemos citar apenas Rita Lee e Pitty como representantes pra um público mais “popular”, enquanto que no exterior há mulheres (Doro, Lita Ford) ou bandas de mulheres (Crucified Barbara) com algum destaque na mídia especializada em rock/metal. Alguma ideia de por que aqui, no Brasil, mulher no rock só se destaca se amenizar seu som pra um lado mais pop e as bandas de metal femininas ficam muito restritas ao underground ganhando pouco espaço em publicações?
Pois é, não sei dizer por que aqui no Brasil temos menos representantes. Talvez porque as oportunidades tanto para bandas masculinas como femininas sejam menores, portanto, as mulheres, que infelizmente estão em menor número, saem perdendo. Mas como eu já disse, pelo menos na cena underground, tenho visto cada vez mais mulheres se destacando. O que falta para elas despontarem é oportunidade mesmo. A cena Rock e Metal do Brasil anda muito fraca mesmo, fica complicado. 

Você passou por uma experiência sonhada por muito alternativos que é morar na Europa, no caso na Alemanha. Pensou em ficar definitivamente? Percebeu que poderia ter mais possibilidades no seu trabalho vivendo por lá do que aqui?
Eu fui morar lá porque tive a oportunidade de ganhar uma bolsa do governo alemão para estudar. Engraçado vocês perguntarem sobre isso porque na época eu tinha a opção de escolher dentre 5 cidades. Não me lembro quais eram as outras cidades, mas escolhi Leipzig. Essa escolha foi baseada justamente no meu estilo de vida. Fui pesquisar sobre a cidade e além dela ser perto de Berlim, cidade considerada centro cultural da Europa, ela era a cidade com a cena gótica mais forte de toda a Alemanha. E isso me chamou atenção. Depois descobri que o vocalista do Rammstein também tinha nascido lá. E isso foi o suficiente para eu escolher a cidade. Curto muita coisa do gênero gótico e foi uma experiência muito legal estudar em Leipzig. Lá tinha muitas e muitas lojas com moda gótica, vocês não tem noção da quantidade e tamanho das lojas. E é muito interessante porque lá eles vivem 24 horas no estilo gótico. Lembro de nos primeiros dias lá eu indo estudar de manhã e ver vários góticos de sobretudo, maquiagem pesada, cabelos verdes, rosas, azuis, 8h da manhã completamente montados. Achei muito louco. Também passei por Hamburgo, uma das cidades mais headbangers do país devido ao Wacken. Lá tem uma cena bem legal, várias lojas de metal e até uma loja só de coisas vikings. Óbvio que já pensei em morar lá, penso constantemente sobre o assunto. Embora eu fosse sentir uma falta absurda dos brasileiros calorosos [risos]. Assim eu tenho certeza que se eu tivesse nascido lá, eu teria mais oportunidades na cena metal e poderia até, quem sabe, viver da minha música por lá. Mas a ideia de sair daqui e recomeçar tudo lá sozinha não me anima muito. Já tenho 24 anos, estou velha pra começar tudo do zero na cena alemã [risos].


Sobre o Rio, você sente diferença do público alternativo por regiões (zona sul, zona norte, baixada,...)? Inclusive, já teve oportunidade de conhecer outros públicos do país?
Olha não vejo grandes diferenças comportamentais, já fiz shows em vários locais do Rio de Janeiro e quando falamos de receptividade todos são ótimos. Consigo notar talvez uma diferença de estilos. Na baixada tem mais uma galera gótica, na zona norte o metal extremo é muito valorizado e várias bandas muito talentosas surgiram dali e na zona sul acho que a galera é mais heterogênea tendo gente que curte de tudo um pouco. Mas é só uma impressão superficial minha, posso estar enganada. Fora do Rio, já tocamos em Brasília, abrindo para banda alemã Rage, em Belo Horizonte e em São Paulo. Mas a maioria dos nossos shows são no Estado mesmo do Rio de Janeiro, cidades como Macaé, Volta Redonda, Campos, Barra do Piraí, entre outras. Nós adoramos essas cidades porque a galera agita demais. Eles ficam loucos, é muito legal.

Banda Scatha
 Quais locais você indica para os amantes do rock frequentarem no Rio? 
Bom, acho que o lugar que eu mais frequento é o Calabouço Rock Bar na Tijuca. É um bar superlegal e sempre tem shows maneiros rolando. Outro lugar que também frequento é o Heavy Duty também na Tijuca. São os dois lugares que tem constantemente programação do estilo. Fora isso, também frequento os shows da cena que acontecem no Teatro Odisséia ou também no Planet Music em Cascadura. Super indico todos os lugares.

Sobre Moda: O que você gosta de comprar? São de marcas brasileiras ou estrangeiras? Consegue achar aqui o que quer vestir?
Então, super adoro moda. Mas é muito exaustivo conseguir achar coisas que eu gosto. Fora isso, não ligo muito pra marca de loja, minha estratégia é sempre entrar em toda e qualquer loja e procurar algo que eu possa gostar. Já achei umas peças superincríveis em lojas inesperadas. Mas é bem difícil mesmo pra eu achar coisas legais por aí. 


Observamos em fotos a predominância da cor preta nos seus looks. Você é só assim no palco ou no dia a dia? Como se vira para se vestir no calor de 40 graus? Aliás, se sente deslocada por não pertencer ao típico lifestyle carioca?
As roupas que uso nos palcos não são as que eu uso no dia a dia. No cotidiano me visto bem informal mesmo e casual. Trabalho na área de comunicação e felizmente não tenho que trabalhar com look social. Uso um visual que eu goste uma calça jeans ou legging e uma camisa simples ou t-shirt descolada. Além desse visual básico, sempre tento usar algo que indique meu estilo. Num dia chuvoso, ao invés de usar uma bota mais tradicional, uso um coturno e por aí vai. Comprar roupa pra mim é uma tarefa bem difícil aqui no Rio de Janeiro, é bem cansativo. Acho que ou meu gosto é muito difícil ou eu estou morando no lugar errado. Pra vocês terem uma ideia, existe uma época do ano que eu quase não consigo comprar nada, é a época que chega às coleções primavera verão. Não consigo comprar roupas de tons pastel, claros ou roupas com padrões estampados muito marcantes ou coisas florais. De forma geral, gosto de vestir coisas de cores mais frias como preto, branco, azul, cinza, verde. Às vezes opto por vermelho ou amarelo, mas bem menos. Assim, de acordo com meu gosto, as roupas de inverno e outono se encaixam mais no meu estilo e essa é a única época que eu saio pra fazer compras.


Sente falta como consumidora de um mercado alternativo brasileiro mais amplo e profissional? (Lá fora já existem Semanas de Moda, revistas especializadas, marcas para todos os tipos de subculturas e tamanhos, etc...)
Pois é isso é um problema constante pra mim. Não existem lojas especializadas no Rio de Janeiro do estilo alternativo e por isso você tem que fazer uma peregrinação em todas as lojas pra achar alguma coisa legal. Conheço várias marcas tanto dos EUA, como da Europa e fico aqui olhando os sites e babando. O que eu tento fazer é caçar em lojas e quando a situação fica muito difícil ou tenho algum evento importante pra fazer e preciso de roupa, compro uma passagem e vou pra São Paulo na galeria do Rock. Fora isso tem lojas de outros estados que vocês até já divulgam aqui no site, Black Frost e Dark Fashion, são duas lojas que também compro. Pra mim, a Black Frost é a que melhor atente ao meu gosto de roupas alternativas. Outra loja que também conheci há pouco tempo e também tenho comprado é a Sweet Sam Moda Alternativa, lá tem roupas de todos os estilos e é perfeito pra quem gosta de roupas personalizadas e customizadas.


Uma questão que abordamos com frequência no blog, é o fato do meio alternativo estar se abrindo para padronizações. A cena que deveria ter pessoas com cabeças mais abertas, aceitar as diferenças, no entanto parece estar retrocedendo. Um exemplo é a ditadura da beleza. Você já sentiu alguma pressão pela estética, principalmente por ser vocalista? Qual sua opinião sobre o assunto em geral?
Existe sim uma pressão estética. Se vou subir no palco tenho que estar sempre linda e alinhada e uma coisa que me preocupa muito é aquela coisa de não poder repetir roupa [risos]. Isso coloca uma pressão bizarra em mim de ter que achar mais e mais roupas, porque a cada show eu tenho que ter um visual diferente, hoje em dia todo mundo tira foto dos shows, fica feio repetir uma peça várias vezes. Assim eu fico que nem uma louca pra achar roupas novas e às vezes não consigo achar, é uma loucura. Mas acho que é uma pressão mais minha do que do público em si. De qualquer maneira, a gente sabe que não pode subir no palco de qualquer jeito porque a atenção vai estar todas em nós. Mas no fundo eu adoro. Na Scatha acho que sou uma das meninas que mais invisto nessa coisa do visual, justamente por ser frontwoman. É até engraçado porque eu gosto de usar corset né, curto algumas coisas de uma pegada mais gótica e sexy e as meninas são mais tradicionais, ai pedem pra eu pegar leve. Não faz muito sentido uma vocalista de Thrash Metal cantar com um corset no palco, né? Então eu tenho que me policiar com isso também, mas à minha maneira tento colocar uma pitada do meu gosto no visual de palco. 





Deixe um recado pras meninas do rock que querem montar bandas, como elas podem começar e alguns conselhos.
Então meninas se vocês sonham em ter uma banda à primeira coisa que vocês têm que fazer é investir no seu talento. Se você gosta de cantar ou tocar um instrumento, invista em aulas com profissionais, não há nada melhor que ter o conselho deles pra ajudar a gente no começo da carreira. Usem a internet, colégio, faculdade, até as nights pra encontrar gente com o mesmo gosto musical que o seu e montar a banda dos seus sonhos. Depois disso, usem a internet, muito e muito em todo seu potencial pra divulgar o trabalho de vocês. E depois é só aproveitar tudo que uma banda pode trazer e proporcionar pra gente. O caminho não é fácil, mas ao mesmo tempo é muito gratificante. Não desistam e vão atrás do sonho de vocês! Um beijo pra todas e todos que tiveram a paciência de ler essa entrevista! Quem quiser conhecer mais meu trabalho, basta me procurar no Facebook. Tenho perfil e página com alguns dos meus trabalhos. Espero que tenham gostado! Mil Beijos

Links da Angélica:


Entrevista por Lauren Scheffel

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